domingo, 17 de agosto de 2008

és um senhor tão bonito..

Janela da alma me deixou pensando algumas coisas, primeiro: que filme bom do caralho, acho muito incrível quando um cineasta consegue lidar com pessoas assim e passar na edição e na composição do filme uma história tão foda. Sabe, deve ser muito complicado ter como objeto de filmagem pessoas de verdade, que gagueijam, e que não falam diálogos milimetricamente escritos, que ao invés disso improvisam e vão de acordo com seu proprio ritmo e forma de expressão individual.

Outra coisa é a minha própria relação com a visão. Eu uso óculos desde muito tempo atrás, não lembro direito como era a vida antes deles, e olha que eu comecei a usar óculos já no meio da infância, não foi tão menino assim.
É que eu tenho um problema, minhas memórias de criança são praticamente inexistentes, digo praticamente porque existem coisas que eu lembro, tipo a primeira vez que eu joguei Altered Beast num game boy, mas não lembro se meus pais me levaram alguma vez no zoológico, ou como era o meu dia-a-dia com eles. Enquanto isso, lembro que depois da minha primeira e única cirurgia (de adenóide), quando eu acordei tava passando Sonho de Verão e que eu comi um sanduiche de queijo. Eu tenho essas memórias bem pontuais, que por algum motivo me marcaram pra caralho, a ponto de eu não esquecer delas, e as coisas que eu gostaria muito de lembrar não vem a minha mente.

Também tenho um tipo de memória muito não-visual, se eu fosse descrever como eu me lembro das coisas e das pessoas, diria que é meio que como a idéia que eu tenho delas, que é tipo uma soma de dados linguísticos do que eu sei e vejo delas, mas não a imagem realmente. Eu tenho essa idéia de que as pessoas quando fecham os olhos e tentam se lembrar de alguma coisa, ou quando estão imaginando algo, elas conseguem ver as imagens daquilo que passou, ou que está sendo imaginado. Mas no meu caso eu não consigo, eu só imagino e lembro em fatos e idéias, de forma linguística.



Ai vendo Janela da Alma tive vontade de desistir de fazer uma monografia e partir pra um projeto. Ouvi falar semana passada de entrevistas fenomenológicas, e apesar de ainda não ter lido nada sobre, acredito que é bem o processo que foi utilizado durante esse filme. (também acho que é o processo que o povo de This American Life usa) Queria fazer um trabalho sobre tempo (sério? podia escolher um tema mais amplo não? mas lembro que um dia desses ouvi alguem dizer, que todos os bons filmes e livros, deveriam ter o tempo como tema, pois é, é um começo..), queria conversar com idosos à respeito de como eles vêem o tempo.

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