quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Angustia do caralho.

Sabe quando a angustia parece vontade de vomitar? Se torna uma coisa física?
Pois é.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

mirtilo

Finalmente resolvi assistir minhas noites de mirtilo, na verdade uma conspiração do universo me impediu de ver esse filme antes (conspiração que envolviam milhares de pessoas compartilhando um torrent falso, amigos fuleiros e cinemas com horários ruins) e quando foi hoje tava lá de bobeira depois do cardiologista na locadora e lá estava ele, me esperando.

Filme lindo demais, visualmente, com direito a piadinhas visuais e história bem bacana, envolvendo uma soulsearching pelo proletariado americano.

Mas o momento que me deixou fudido foi a bem rápida participação da Chan, como a russa misteriosa e principalmente a influencia que ela tem na vida do Jeremy. E o contraponto que ele tem com a Norah, sabe? Um que fica parado no mesmo canto esperando ser encontrado, enquanto a outra fica em movimento constante procurando algo que se perdeu.

E acho que foi o primeiro filme do Wong Kar Wai que eu não tive sono :D. (o que não necessariamente é um bom sinal)

Ano novo, vida nova.

Preciso me dizer todas essas coisas que as pessoas se dizem quando começam uma mudança radical na vida, tirar fotos pra um antes e depois e principalmente pra eu me lembrar de onde saí e onde cheguei. Juro, não estranhem que se daqui há uns 6 meses eu tiver na Ana Maria Braga contando como foi passar por essa mudança de vida tão grande.

domingo, 17 de agosto de 2008

és um senhor tão bonito..

Janela da alma me deixou pensando algumas coisas, primeiro: que filme bom do caralho, acho muito incrível quando um cineasta consegue lidar com pessoas assim e passar na edição e na composição do filme uma história tão foda. Sabe, deve ser muito complicado ter como objeto de filmagem pessoas de verdade, que gagueijam, e que não falam diálogos milimetricamente escritos, que ao invés disso improvisam e vão de acordo com seu proprio ritmo e forma de expressão individual.

Outra coisa é a minha própria relação com a visão. Eu uso óculos desde muito tempo atrás, não lembro direito como era a vida antes deles, e olha que eu comecei a usar óculos já no meio da infância, não foi tão menino assim.
É que eu tenho um problema, minhas memórias de criança são praticamente inexistentes, digo praticamente porque existem coisas que eu lembro, tipo a primeira vez que eu joguei Altered Beast num game boy, mas não lembro se meus pais me levaram alguma vez no zoológico, ou como era o meu dia-a-dia com eles. Enquanto isso, lembro que depois da minha primeira e única cirurgia (de adenóide), quando eu acordei tava passando Sonho de Verão e que eu comi um sanduiche de queijo. Eu tenho essas memórias bem pontuais, que por algum motivo me marcaram pra caralho, a ponto de eu não esquecer delas, e as coisas que eu gostaria muito de lembrar não vem a minha mente.

Também tenho um tipo de memória muito não-visual, se eu fosse descrever como eu me lembro das coisas e das pessoas, diria que é meio que como a idéia que eu tenho delas, que é tipo uma soma de dados linguísticos do que eu sei e vejo delas, mas não a imagem realmente. Eu tenho essa idéia de que as pessoas quando fecham os olhos e tentam se lembrar de alguma coisa, ou quando estão imaginando algo, elas conseguem ver as imagens daquilo que passou, ou que está sendo imaginado. Mas no meu caso eu não consigo, eu só imagino e lembro em fatos e idéias, de forma linguística.



Ai vendo Janela da Alma tive vontade de desistir de fazer uma monografia e partir pra um projeto. Ouvi falar semana passada de entrevistas fenomenológicas, e apesar de ainda não ter lido nada sobre, acredito que é bem o processo que foi utilizado durante esse filme. (também acho que é o processo que o povo de This American Life usa) Queria fazer um trabalho sobre tempo (sério? podia escolher um tema mais amplo não? mas lembro que um dia desses ouvi alguem dizer, que todos os bons filmes e livros, deveriam ter o tempo como tema, pois é, é um começo..), queria conversar com idosos à respeito de como eles vêem o tempo.

sábado, 9 de agosto de 2008

can't say no

Eu não consigo mais acompanhar o volume de informação que eu teoricamente me proponho a seguir. Não lembro da ultima vez que meu RSS tava lido (se bem que completamente lido é impossivel..) e tenho leituras intermináveis que sempre se renovam e que eu não continuo, preguiça me fode numa daily basis.

E o pior, agora nem os seriados e filmes que eu baixo eu consigo ver, tou com um monte de coisa interessante pra assistir e nunca dá tempo. Minhas prioridades nunca são bem definidas e mudam diariamente, tá foda..

Mas é foda, existe tanta coisa interessante surgindo a cada instante, como é que se consegue não olhar elas, e só focar nas outras que já estão lá estabelecidas? Talvez a única saída pra mim seja abidicar completamente da internet, só assim conseguiria arranjar tempo pra ler tudo o que eu tenho que ler no mundo analógico. Ou quem sabe diminuir as horas de sono e aumentar as doses de cafeína?

Diminuir as interações sociais com finalidades dionisíacas?
Assunto a se pensar enquanto assisto mais de This American Life.

the distance

"Chosing not to become the person your family expected is painful. You have to leave their world completely just to make sense of your own life. And then faith lures you back whenever it can. To give you the chance to measure the distance between their world and yours. And see if is just as far as you remember."


Faz muito sentido sabe?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

não era amor..

Sai de casa achando que ia ter uma noite tranquila de filme e amigas, mas era uma cilada Bino!

Cinco litros de cerveja depois estava deitado no chão morrendo de rir com Rafinha Bastos ( <3 ) e vomitando cheetos com cerveja. (duas vezes sabor e zero calorias)

Nove horas depois tava acordado em posição fetal tentando não fazer movimentos bruscos, tomando litros de água e tentando manter o meu conteúdo no seu devido lugar.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

put the phone machine on hold

Nostalgia é uma coisa fantástica, você volta a ver desenhos ruins que passavam quando você era criança e dizer com aquele saudosismo "aahh.. cavaleiros do zodiaco (ou insira aqui qualquer outro desenho ou programa genérico da sua época) era tão bom!!".

Pessoalmente acho um saco esse tipo de conversa, principalmente quando é com amigos da época do colégio, todo o negócio de como eram bons os velhos tempos é irritante, quando você chegou nesse ponto em uma amizade só tem duas coisas a se fazer, ou você realmente começa a criar novas memorias e momentos, ou então você vê esse amigo uma vez a cada 6 meses, só pra poder relembrar aquela época tão divertida.

Eu pessoalmente até tento evitar ouvir músicas que eu ouvia há mais de 7 anos, mas existem umas exceções.

O Pieces of You da Jewel ainda é bom. CD antigão, comprei quando fui no auge dos meus 15 anos pros EUA, toda a experiência Disney na vida. Lembro que eu comprei porque eu tinha visto uma reportagem sobre a vida dela na Seleções (sim, minha mãe assina Seleções há MUITO tempo, e pior ela realmente participa daquelas promoções que eles mandam um carro de papelão dizendo "Este carro pode ser seu") e tinha me emocionado (¬¬).

Mas sim, tudo isso pra dizer que Morning Song é tipo, a música mais linda do cd e provavelmente da própria Jewel. (mas vai, pode ser bem breguinha também, mas ainda assim linda)

Let the phone ring, let's go back to sleep
Let the world spin outside out door, you're the only one that I wanna see
Tell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting cold
Get over here and warm my hands up, boy, it's you they love to hold

Pretend we're perfect strangers and that we never met...
My how you remind me of a man I used to sleep with
that's a face I'd never forget
You can be Henry Miler and I'll be Anais Nin
Except this time it'll be even better,
We'll stay together in the end

domingo, 8 de junho de 2008

bem que freud dizia..

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/asia/article4089998.ece

O que aconteceu foi o seguinte, o cara que se dizia "cansado da vida" foi lá, alugou um tipo de caminhão (two-tonne lorry, pelo o que o google images me mostrou que é algo bem grande) e começou a passar por cima de pessoas no meio da rua, saiu do caminhão, e começou a esfaquiar quem estava por perto.

O sujeito trabalhava numa linha de produção de peças de carro.

Agora me diz se isso não é um senhor exemplo de mal-estar na pós modernidade?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Eu tenho até MUITA coisa pra postar, sobre o sambão, sobre in treatment, sobre uns dramas ai.. Mas tou com tanta de preguiça de elaborar qualquer tipo de post grande aqui..

Fora que só fiz estudar essa semana, e ainda tenho muita coisa pra fazer no resto da semana. E desde segunda (quando tive um dos meus piores pesadelos) eu não tou conseguindo dormir direito, é bom que eu aproveito pra assistir In Treatment (vício), só que fico na noia de ser moderado, ai não me deixo ver muitos episódios seguidos.

(Ultimamente tenho estado tão entediado de madrugada, que fico assistindo pornografia e realmente me interesso na linha de narrativa.)

terça-feira, 13 de maio de 2008

PUTAQUEPARIU

A senhora que trabalha aqui em casa, ajudando com a limpeza (forma politicamente correta) é uma das pessoas mais irritantes que já tive o desprazer de encontrar.

Desde o primeiro dia ela me chama de "Thiaguinho", "Titi", ou qualquer outro diminutivo irritante que ela conseguir pensar. Minha avó (enfatizo o MINHA) é chamada por ela de "vózinha", "vó", e outros similares de igual quantitativo de irritabilidade. Vocês não tem noção do que é acordar com uma pessoa que fala como se você fosse uma criança de 1 ano (uma de 2 já daria um fora nela), e inclusive de ouvir ela falando com os passarinhos:

"Que foi amooor?"
"Oww menininho"

Odeio qualquer pessoa que use diminutivos pra falar com pessoas, objetos, namorados, animais e por ai vai.

E o pior é que a porra do computador é do lado da cozinha, ai eu tenho que passar o dia inteiro aturando ela, me irrita demais que ela passar por tras de mim O TEMPO TODO. Na maioria das vezes ela não faz porra nenhuma, só passa, e comenta sobre oque eu tou fazendo.

Caralho, quero muito que minha mãe incorpore a Emily e mande ela embora por qualquer motivo que seja.

(inclusive, há toda uma cumplicidade e identificação pelo ódio mutuo por essa mulher. só que como não tem mais ninguem pra vir trabalhar aqui, é ter paciência mesmo.)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

e daí?

Tava meio sem paciência pra faculdade hoje

(dias chuvosos me deixam preguiçoso, e não querendo sair da minha cama, nem do meu quarto, nem dos pijamas.)

por isso fui, tirei uma xerox de um livro pra estudar (meio que um alivio pra consciência pesada de faltar aula) e voltei pra casa pra ler o meu livro.

Em dado momento no computador, escuto minha mãe cantando, como ela sempre faz, todos os dias da minha vida (muitas vezes até porque são músicas de padre marcelo), mas era algo bem bonito (e tipo, minha mãe canta MUITO bem)

E daí?
(ouçam a versão da Gal, já que não tem disponivel a da Elizeth Cardoso)
Proibiram que eu te amasse

Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saisse
E perguntasse a alguém por ti
Proibam muito mais, preguem avisos
Fechem portas, ponham guizos
Nosso amor perguntará:
E daí? e daí?
E daí, por mais cruel perseguição
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração
Que é teu,
Que é todo teu.


Dai que eu meio que automaticamente fui procurar a música, pra saber qual era, e ouvir a original, ai já tava no clima de história familiar do Jonathan (Safran Foer) e fiquei pensando que eu escuto um bocado de mpb, e tenho uma fixação na Maria Bethânia, sei lá, parece que essa minha relação com mpb e mulheres cantando mpb é meio que um prolongamento da minha relação com minha mãe, do que eu ouço ela cantar aqui (não necessariamente pra mim, mas sei que ela já cantou, do mesmo jeito que ela canta pra Raphael, meu sobrinho) e fica dentro de mim. Bethania, Elizeth, Gal, todas elas são meio que lembretes do que minha mãe significa pra mim.

Parei a coisa edípica.
Não vi metade dos filmes que falei ai embaixo, o que é um costume bem comum meu, locar trocentos filmes e acabar não vendo por falta de tempo/paciência, inclusive tenho razões concretas pra acreditar que eu sustento boa parte dos novos filmes comprados pela Foxy (minha locadora).

Pra foder de vez a minha vida acadêmica, eu comprei Extremely Loud & Incredible Close, que é do tipo de livro que eu não consigo parar de ler (e olhe que isso é dificil, acho que só quem conseguiu isso foi o Hermann Hesse, Milan Kundera e agora o Safran Foer) e que me faz sentir os apertos no coração.

Eu acho que o que me fode é a relação do Oskar com a familia dele, não, me fode mais a relação da avó dele com o passado dela. Desde "Uma vida iluminada" esse tema de busca de raízes me deixa bem malzinho, até porque eu não sei nada sobre a minha familia, a vida dos meus pais, da minha avó, não sei nem quem foram meus avôs, de que eles morreram, será que meu avô paterno abandonou a minha avó? Porque ela nunca mais tentou namorar outro homem? Minha avó era feliz com ele? Sei lá. Eu foco tanto na minha vida e na vida dos outros distantes, que eu acabo me esquecendo da vida da minha propria familia. E agora eu acho que tou velho demais pra perguntar essas coisas, que é tarde demais pra saber.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Já é feriado pra mim desde ontem, não por opção, mas por força do destino. Desde o momento que eu recebi a ligação me chamando pra beber de 11h da manhã, sabia que tinha começado o dia do trabalho. E como todo feriado decente, eu loquei filmes aos litros.

(apesar de que eu tenho uma prova pra fazer nesse feriado, e uma prova para estudar.. e são duas coisas que não podem ser adiadas de modo algum)

Loquei:
O Diário de uma babá. (Scarlet e o tocha humana num filme nos moldes de bridget jones+ diabo veste prada + pretty woman, pelo menos é essa a impressão que eu tenho)
Inferno (na verdade não sei muito sobre esse filme, mas tem a Emmanuelle Béart que é idolo roubada de uma amiga minha, que virei stalkerm e tem o trailer super melodramatico :D)
Cenas de um Casamento (nem idéia se é bom ou ruim, mas é uma minisérie de Ingmar Bergman, e tem a Liv Ullman, deve ser bom, a foto da capa é bacana)
Fargo (nunca vi, e todo mundo fala que é o melhor dos Coen)
Bonequinha de Luxo (vou assistir pela octogenésima vez, e chorar, rir, e todas essas coisas ridiculas que eu faço quando assisto)
Um bonde (rua?) chamado(a) desejo (pecado) (assim, eu realmente acho que é o do Marlon Brando, do Steeeeeeeeeelaaaaaaaaaaaaaaaaaa, mas que eu saiba o nome era diferente, mas vai ver mudou, sei lá como é o mercado de dvds brasileiros)

cotidiano familiar

- THIAGOOOO
- OIIIIIIIII
- VEM CÁ MEU FILHO VER ESSA REPORTAGEM

(momento tenso, pondero se realmente vale a pena sair da minha cadeira confortavel onde bethânia me acalenta e ir ver uma materia que provavelmente vai ser sobre obesidade nos jovens)

acabo indo mesmo né, porque curiosidade fode um. reportagem sobre calvice

(detalhe importante, tava passando o jornal hoje, a.k.a. jornal dona de casa friendly, onde elas aprendem as novas tendencias em aparatos para o lar, como lidar com os filhos obesinhos, como ajudar o filho com o stress do vestibular entre outras materias educativas. agora no jornal hoje eles estão fazendo reportagens em locações ilustrativas, ai como era sobre calvice claro que teria que ser em um salão de beleza, onde ao fundo alguem tinha seu cabelo cortado ao vivo, tipo vamo passar na cara né? olha você não tem cabelo não, mas pode ser que tenha cura, mas enquanto você chora ai com a sua meia idade e a calvice, esses homens jovens e bonitos cortam os cabelos de forma moderna e descolada)

minha mãe sempre preocupada com meu bem estar (e em alfinetar minha auto estima) faz cara de preocupada e diz:
- olhai filho, tireoide faz cair o cabelo! e também engorda! você devia ir no médico fazer um check up e ver se tem algum problema de tireoide.

oque deveria acontecer:

- não mãe, não tenho nenhum problema de tireoide, nem maus genes, nem nada do tipo, só como demais, não faço exercício. e eu não tou ficando calvo, só tenho entradas grandes (NEGAÇÃO, só faltava dizer que tinha ossos grandes também).

oque aconteceu:
fiz cara de quem tá escutando e saí em seguida. não consegui levar a sério o expert em calvice que usava peruca e o cenário tosco de salão de beleza.

about to lose control (and i think i like it?)

Outra coisa, tou começando a sentir que meu regime tá indo pro brejo. Na ultima semana comi:
1 cheese bacon (podendo ser dois, não lembro direito, tava bebado)
1 x tudo (também pós bebado)
quantidade imensuravel de cerveja (alguns litros por dia?)

é incrivel como toda vez que eu bebo me descontrolo, bate aquela vontade de comer incontrolavel que só algo gorduroso e sem importancia nutricional pode satisfazer. é nessa hora que pizzas frias, super burguer aberto, e basicamente qualquer coisa que aparecer na minha frente, se transforma em algo que pode me deixar satisfeito em potencial.

fudido

Não satisfeito com ter quase todos os meus horários ocupados durante a semana, nem com a quantidade absurda de trabalhos a entregar, resolvi que ia tentar fazer PIBIC, porque o que eu não consigo fazer não é?
Ai depois de umas noites insones, uns ataques de ansiedade, comida nervosa, ataques de choro e algumas horas em pé numa fila, consegui. Agora além da monografia e de uma graduação alternativa, vou ter que fazer pesquisa nas horas vagas, mas vai né, filosofia e psicanálise, fico aprendendo a racionalizar e a descobrir quais outros problema psicológicos eu tenho.


Outra coisa, monografia MUITO atrasada, e descobri que meu tema vai ser bem difícil de desenvolver. Quem imaginaria que falar de histórias em quadrinhos e macanudos, fosse precisar de tanta bibliografia. Pois é, preciso de cem dolares pra comprar uma parte da minha bibliografia. Alguem quer contribuir? Avisa nos comentários que eu digo como entrar em contato.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

dilema da manhã

Eu fico em um eterno dilema moral entre apagar os posts antigos e dramáticos e deixar eles ai porque nada a ver essa história de sentir vergonha de si mesmo (vergonha alheia tudo bem, mas de mim, nunca!).
Fora que daqui há uns 10 anos, quando eu tive gordo e careca*, fazendo sexo com homens em banheiros públicos, e eu quiser dar uma de nostalgico e ver o que eu escrevia quando era jovem e bonito**, vai ser bom ler esses textos de adolescente dramático, que provavelmente não farão sentido algum.

(ou quem sabe todo o sentido do mundo né? quem sabe se eu não evoluir nada em 10 anos, tudo vai continuar fazendo sentido. e ai quando eu notar isso já posso ir subir aos céus no meu balão sem peso na consciência.)

eu já me vejo com um pote de sorvete, na frente do computador, meus três gatos com nomes exóticos (oi, todo gordo careca tem que ter gatos, que são tratados como filhos e são enorme de gordos, até porque comida = amor até pros gatos), lendo meu blog antigo.

seria um turning point na minha vida, ia me livrar dos gatos, arranjar uma peruca, ir pra academia, e remodelar a minha vida. participaria de uma reportagem no globo reporter e escrever livros de auto-ajuda para obesinhos de meia-idade.
depois de um ano, ia contar com detalhes na minha biografia (e na Oprah, ou então a similar brasileira) como o blog dos anos da minha juventude me ajudou a mudar de vida.


*apesar de que eu já sou gordo, e escondo minha careca com franja.
**quando você é velho, gordo e careca, o passado sempre parece mais bonito.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

a saga de um obesinho

Tenho que assumir uma coisa, por mais vergonhoso que seja, esse meu ultimo regime (quer dizer, reeducação alimentar)* começou porque eu tava um dia de bobeira numa sexta a noite em casa e minha mãe gritou lá da sala "thiago! vem ver isso"

(minha mãe é o tipo de pessoa que sempre faz isso, mas nos piores momentos, tipo tou aqui vendo um episodio de Grey's Anatomy e ela grita por mim. e sempre que ela chama é pra ver alguma reportagem sobre um assunto que tenha a ver comigo, normalmente os tópicos são relacionados a crimes, internet, pessoas obesas ou mal alimentadas. [tem até um filme que acho que ela ia adorar me recomendar, que é sobre o cara que sequestra obesinhas pra acorrentar numa cama e fazer elas comerem até a morte, tudo isso ligado numa webcam live. inclusive, quem diabos tem tesão em obesinhas morrendo? se bem que depois de ler os invisiveis, não duvido de nenhum fetiche bizarro])

e era dia de globo reporter, ou seja, era um programa sobre o Alaska, ou obesos. (ATUALIZAÇÃO: Segundo a Cybele Miranda: " Globo repórter só tem 3 temas e não tem Alaska no meio.. são eles: o Pantanal sob uma nova visão: o ecossistema pede socorro, Obesos: saiba como cuidar da alimentação e ganhar X anos e vida. e 3ª idade, felizes, xuxuzentos e com cheiro de velhinho saudável.. como fas?") Ignorei, até ela persistir e eu ceder. Era um programa sobre uma gordinha que assistiu o Globo Reporter e se sentiu inspirada pra emagrecer (tá, assumo que me sinto emocionado com depoimentos de ex-obesos, no vigilantes do peso já quase chorei), e ela realmente emagreceu (continuava gorda, mas vai ela era tipo urso panda anã atroz, provavelmente só fazia sexo com perfil no orkut de "Obesinha morbida sexy", acho que o filme lá em cima podia ser inspirado nela) . Mas o que importa disso tudo é uma coisa que ela disse, foi algo do tipo "se alguem um dia tivesse me contado que fazer regime só é difícil na primeira semana, eu teria emagrecido antes!".

Inspirado por meu espírito investigativo myth busters, fui ver se era verdade, acordei no outro dia e decidi só comer saladas, carnes e frutas. Isso mesmo, nada de meus quatro pães diarios, quilos de arroz no almoço, queijo, macaxeira, inhame e por ai vai...

(meu grande problema com regimes é que eu fico uma pessoa insuportável quando não como, trato todo mundo mal, fico com menos paciência do que eu já tenho, não produzo, não faço muita coisa além se sentir fome e reclamar sobre isso)

Pra piorar tive uma semana de provas, um seminário e uma festa nessa mesma semana. Stress, estudo e fome não são coisas que combinam, mas eu aguentei (me assusto com a minha capacidade de não comer as vezes, não que seja fácil, mas eu tento me distrair com atividades de curto prazo). Hoje começa minha terceira semana de regime, já me acostumei com o gosto das saladas, com a falta de arroz e outros carboidratos (mas vai, sou viciado em cebola, dizem que cebola tem muitos carboidratos) e nem sei se tou realmente emagrecendo, porque eu não me pesei.

(eu sofro de ansiedade crônica auto-dignosticada, acho que se eu me pesar, vou surtar e querer me pesar todo dia, cada vez que eu como, e minha gente, já li Bridget Jones e assisti documentários demais pra saber que isso é um caminho sem salvação, vou descobrir que tou magro quando as pessoas começarem a comentar e começar a não estourar botões nas minhas camisas)

Tou médio orgulhoso de mim por estar conseguindo seguir um "regime" relavitamente bem (até porque é tudo da minha cabeça, mistura de varios regimes que chegaram ao meu conhecimento ao longo da infancia e adolescencia obesa.), minhas únicas restrições no regime são quanto a cervejas e ao meu momento semanal de deliciamento, quando como um chessburguer da Super Burguer (um dia faço um post sobre esse que é o melhor lugar do mundo pra obesinhos com fome pós bebida).

E sim, mito verdadeiro. Nem me incomodo tanto mais em comer pouco, na minha cabeça meu estomago cansado de estar vazio, encolheu pra se adequar a nova situação social.

(será que eu deveria me sentir culpado por deixar meu estomago tão deprimido a ponto dele começa a ficar menor? e se meu estomago for como o do urso de Billy e Mandy, um bebêzinho faminto?)

*alguem ai me ensina como eu faço pra riscar palavras? Sabe quando alguem escreve algo no blog e aparece riscado? pois é. alguem se habilita?
Como eu sou o tipo de pessoa que é indigno de confiança, fiz um twitter, e não é que a coisa é legal mesmo? Vou começar a ficar mal acostumado a escrever posts grandes (não que algum dia da minha vida eu estive acostumado a fazer posts grandes, até porque me perco na metade do caminho).

É incrível como a urgência em fazer alguma coisa me faz encontrar novos meios de procrastinar, nunca atualizei tanto algo na minha vida como meu twitter hoje.

Outra coisa incrível, como a única pessoa que você quer encontrar no msn nunca entra, passei o dia conectando e desconectando tentando ver se ele entra. Só que como sou surtado, fico achando que alguem além de mim fica offline esperando a outra pessoa conectar, ai tenho que ficar online, ai invariavelmente alguem vem falar comigo e eu respondo e nesse processo já se foram meia hora que poderia estar estudando.

Acho que vou ver Into the Wild sozinho, no espírito do celebre-a-você-mesmo. Quem sabe não me dou um sorvete e faço a linha solteiro extrovertido que não tem medo de ir ao shopping sozinho.

(mentira vou ligar pra toda minha agenda de telefone pra descobrir se alguem quer ir comigo assim de ultima hora)

domingo, 20 de abril de 2008

Delícia acordar com filme de veado, e a Chan cantando no pé do ouvido.

(post digno de um twitter, mas como não sou tão pós-moderno, nem quero)


Filmes locados (e assistidos?):
Amor e outros desastres
Morango e Chocolate
Bubble (assistirei ainda)


A propósito, eu tenho dois fichamentos enormes pra fazer, um projeto de pibic pra acabar, uma revisão de literatura pra entregar.. E tou aqui ouvindo música e procrastinando.

Tenho que me lembrar de tomar vergonha na cara.

sábado, 19 de abril de 2008

É como diz aquela música e aquela outra, e até a bíblia.

I once was lost, but now i'm found.
was blind, but now i see me.

E por favor, que acabem os dramas.

fade in

Eu quando decido ir em uma locadora, sei que pela próxima hora eu vou passar uma quantidade completamente desnecessária de tempo escolhendo três filmes que eu possivelmente vou assistir. E nada mais injusto doque ter que julgar todo um filme por uma capa e uma descrição (que na maioria das vezes é mal escrita, ou estraga o final do filme), eu sou péssimo em todo o processo, tenho péssimas intuições, por isso a maioria dos filmes que eu loco, são por indicação ou por livre associação (diretor, ator, roteirista, produtor...), quando não, é pela intuição, pela cara do filme e tal.

Por um acaso enorme eu acabei locando "O amor e outros desastres", que definitivamente não é um título chamativo, muito menos a capa, que a primeira vista era Hillary Duffy nua com um livro, mas na verdade era Britanny Murphy. E confie em mim quando eu digo que há diferença.

Hillary Duffy, atriz infanto-juvenil, pseudo cantora, atua em filmes feitos pro Disney Channel e faz música ruim.

Britanny Murphy, atriz não muito notavel, que tem olhos grande demais e tem cara de surtada.

Engano a parte, acabou que foi um filme que me surpreendeu demais. Quem me conhece com certeza vai duvidar disso, sou descaradamente obcecado com comédias românticas, e com um título desses não tinha muito pra onde ir, senão no ambito das comédias românticas.

E ao longo de todo o filme o que mais existe são referências e metalinguagem, principalmente ao filme mais adorado por putas, veados e similares, "Bonequinha de Luxo" (assumo, um dos grandes clássicos pra mim), o próprio filme serve como uma grande homenagem, a personagem principal é Holly cuspida, só que com uma profissão diferente, o melhor amigo gay, originalmente no livro está aqui no filme, a intimidade, as roupas as piadas, os dialogos deliciosos, tudo aqui.

E eu inclusive estou lá, fui inspiração pro personagem do Peter, o roomate-melhor-amigo-veado, que vive todo um outro filme na sua cabeça, e fantasia com a realidade.

Quando eu for famoso vou citar esse filme como inspirador pra minha vida. Life changing. Me fez mudar minha opnião de que capas ruins indicam filmes ruins.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

CUIDADO! Niveis de dramaticidade perigosamente altos.

Digamos que você é uma criança, uma bem feliz até, que os pais amam e passam bastante tempo com você, família estruturada, dinheiro, todas essas coisas, nenhum motivo para reclamar de nada.

Então começa, primeiro na sua casa, seu irmão digamos, começa a chamar você de coisas que você não entende, e a rir de você, talvez até seus pais briguem com ele por isso, talvez não, mas um dia você começa a entender e aprender que sua forma é motivo de piada, aprende que você é de alguma forma errado, diferente.

Não há uma melhor maneira de lidar com isso, pelo menos pra mim não houve, rir junto com eles só faz endossar que você é inferior aos outros, é uma falta de respeito e dignidade com você mesmo (não que na época qualquer criança fosse saber isso), ficar irritado só vai fazer com que eles tenham mais prazer em dizer aquelas coisas sobre você. No meu caso eu ouvia diariamente o quanto eu era gordo, primeiro em casa, do meu irmão e depois no colégio dos outros, e não dá pra dizer direito o quanto isso me marcou, mas eu me estruturei em cima disso, sabendo que na verdade eu deveria ter vergonha de ser gordo como era.

Não sei realmente se meus pais diziam que era normal, me davam apoio, provavelmente davam, mas a questão é, eles confirmavam o que meu irmão dizia quando controlavam minha alimentação, quando mostravam na prática que realmente eu não devia ser gordo, que ser gordo era um escolha minha e eu podia ser magro, era só querer, era só não comer como eu comia, porque aquele era o problema.

Mas vamos lá, quanto mais eles diziam que eu era gordo, mas eu comia, porque precisava de algo que me desse algum tipo de prazer, precisava me sentir bem, nem que fosse artificialmente, não existem muitas saídas para uma situação dessas.

Então quando você mais ou menos se acostumou já que você é gordo e que todos vão te tratar diferente por conta disso, você percebe que essa não é a única grande diferença entre vocês e os outros, algumas são pequenas, outras grandes, mas tudo parece conspirar para que você esteja de alguma forma errado.

E tipo, eu podia continuar dizendo como ser gay também me marcou, como não confiava em ninguém, como mentia compulsivamente sobre tudo pra tentar esconder qualquer verdade sobre mim, como tentava me sentir incluso, como imitava tudo o que os outros faziam, porque precisava ser igual a eles.

Mas ai que ta, eu não tinha estrutura nenhuma pra conseguir ser quem eu era, porque pra mim a grande verdade era que eu deveria ter vergonha de ser assim. O triste é que até hoje ainda sinto vergonha de ser gordo, ainda tenho que ouvir meus amigos falando o quanto isso é errado, e como eu estou feio e deveria emagrecer. Eu sei que eles não fazem por mal, só que ainda assim, isso me deixa triste.

Não é uma escolha ser gordo, emagrecer significa abdicar de um dos meus maiores prazeres, de uma das únicas coisas que sempre esteve presente e me confortou, e ainda por cima significa confirmar que todas as pessoas que até hoje me disseram que a minha gordura é um problema, que eu não deveria ser assim, todas elas estavam certas.

e agora, voltamos a nossa programação normal.

Racionalizando tudo que eu escrevi no outro post, acho que entendo porque justamente agora, depois de tanto tempo eu começo a pensar tanto no que passou. Minha teoria é a seguinte: como me sinto mal, de alguma forma eu venho (inconscientemente talvez) tentando me voltar ao ultimo momento da minha vida onde eu estava verdadeiramente feliz. Talvez de alguma maneira bem doentia, eu estou me prendendo ao ultimo momento de felicidade extrema para com isso alcançar aquele estado mais uma vez, só que isso meio que não adianta, na verdade só piora as coisas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

despedida

Estou no clima de ouvir música triste, fumar, chorar, beber, assistir filmes que mostram que o mundo é um lugar feio e cruel. Preciso de um tapa, apertões, mordidas, talvez um murro. Quero uma dor que eu possa controlar.

Quero controle.

Preciso de um motivo pra cantar, tudo parece mais entediante do que nunca, pessoas, coisas e principalmente eu.

Preciso parar de lidar com os problemas e soluções alheias, e voltar a lidar com os meus.

Preciso desabafar.

Você. É você mesmo.

Sai de mim, por favor. Para de aparecer em músicas da Bethânia, eu gosto demais dela para ter de parar de ouvir por tua culpa. Já faz muito tempo, o bastante pra eu ter superado, o bastante pra eu ter esquecido teu cheiro, o bastante pra eu não ter medo de ter que lidar contigo. Odeio tudo que me faz lembrar, tudo. Odeio a maneira como você ainda esta presente aqui, odeio que isso aqui é na verdade escrito pra você.

Fica em mim, por favor. Você é o motivo porque eu sou apaixonado por Bethânia, ela canta sobre nós, você me trouxe ela. Já faz tanto tempo e eu não te superei, ainda consigo sentir teu cheiro, morro de medo de lidar contigo. Não consigo parar de me lembrar, não consigo parar de querer você, aqui comigo. Odeio saber que não estava pronto pra você, odeio saber que agora eu estou.



Escrito ao som de “Você”, na voz da Bethânia:


"Você que tanto tempo faz.

Você que não conheço mais.

Você que um dia eu amei demais.

Você que ontem me sufocou, de amor e de felicidade.

Hoje me sufoca de vontade.

Você que já não diz pra mim, as coisas que eu preciso ouvir.

Você que até hoje eu não esqueci.

Você que eu tento me enganar, dizendo que tudo passou.

Na realidade aqui em mim, você ficou.

Você que eu não encontro mais.

Os beijos que já não lhe dou.

Foi tanto pra você que hoje não restou.

Você que eu não encontro mais.

Os beijos que já não lhe dou.

Foi tanto pra você que hoje não restou."




Foi bom ter você aqui comigo por esse tempo todo.

Adeus, fica bem.